Resenha de The End of the F***ing World – Netflix

Quando TEOTFW estreou na Netflix, confesso que não dei muita bola. Havia visto um pedaço do trailer da série no Facebook, mas tinha outras coisas para assistir. Então hoje, decidi dar uma chance para a série e francamente, que bom que dei!

The End of the F***ing World conta a história de dois adolescentes bastante excêntricos, James e Alyssa.

James tem 17 anos e jura de pé junto que é um psicopata. Alyssa também tem 17 anos e é louca de pedra.

Os dois se conhecem na escola e de cara se dão bem, mesmo sem admitir. Ambos possuem problemas e são indivíduos bastante instáveis. Ou seria o ambiente em que se encontram o grande culpado pela forma dos dois agirem?

Acontece que percebendo que a situação que se encontram não vai melhorar tão cedo, eles acabam fugindo juntos.

Gostei muito da série e dos personagens. Ela é classificada como uma série de comédia de humor negro. Mas, ao decorrer dos episódios, não consegui assisti-la dessa forma. Para mim, é uma série bastante dramática e com temas importantíssimos para nossa realidade.

As circunstâncias nas quais James e Alyssa cresceram foram responsáveis por transformarem a vida desses adolescentes.

Abuso, negligência, abandono, falta de carinho e amor, exposições ao ridículo, são apenas alguns motivos que posso citar para dar um porque ao comportamento deles, que ao mesmo tempo não tem desculpa para.

Hoje em dia, vivemos em uma sociedade em que tudo isso existe todos os dias.

Pais e mães que não se importam com os filhos. Que não cumprem seus papéis. Que provavelmente não pensaram antes de colocarem mais alguém no mundo, que por si só já está corrompido. Pais e mães que desistem dos filhos.

Crianças e adolescentes que emulam o comportamento dos seus responsáveis e acabam pagando um preço alto demais.

É claro que, no final do dia, cada um tem sua parcela de culpa. Que cada um tem direito a suas próprias opiniões.  Que cada um tem uma personalidade. Mas não podemos negar que existe uma grande influência vinda de casa.

No fim, assim como grande parte das obras que assisto, fiquei com pena de James e Alyssa.

Por se tratar de uma série, deveria ficar com pena? Afinal de contas é ficção… mas o que acontece é que a ficção está muito próxima da realidade.

Não vou dizer que não me diverti com a história de The End of the F***ing World… mas só consigo pensar no sofrimento que crianças e adolescentes passam, quando tudo poderia ser diferente se prestássemos atenção.

É claro que nada disso isenta os dois pelo que eles fizeram. As pessoas precisam saber que toda ação tem uma consequência. Se as pessoas soubessem disso (e entendessem completamente), garanto que muitas coisas não aconteceriam.

Alyssa e James – The End of the F***ing World Crédito IMDB




Alex Lawther deu um show de interpretação interpretando James. No início um cara contido e introvertido, que buscava o prazer na dor, mas que com o passar dos dias, foi capaz de começar a gostar e confiar em Alyssa.

Para quem acha que já havia visto Alex em outro lugar, ele também interpretou Kenny, do episódio Shut Up and Dance da terceira temporada de Black Mirror.

É muito legal ver o quão diferente os dois personagens são, apesar de serem parecidos, e como Alex é um grande ator!

Jéssica Barden também impressionou com sua interpretação de Alyssa, uma adolescente que busca afirmação agindo da forma como acha que esperam que uma adolescente da idade dela aja.

Foi muito legal de ver como ela finalmente se abriu e confiou em James também, apesar de tudo que passaram.

A série traz também outros personagens muito legais, como o pai de James e o pai de Alyssa, o menino do posto de gasolina que só queria participar haha, e as detetives.

Gostaria muito de continuar vendo a história dos dois, mas sem que perdesse a essência.

The End of the F***ing World foi uma grande surpresa.

É uma série curta e que pode muito bem ser vista em um dia. Eu fiz assim hahaha. São apenas 8 episódios de mais ou menos 20 minutos, dependendo do episódio.

A fotografia da série é linda e foi gravada no Reino Unido!

A trilha sonora ajuda a dar à TEOTFW muito mais personalidade… Confira:

Uma das coisas que mais gostei é que em todos os flashbacks, o formato apresentado é diferente, de 4:3 ao invés do famoso e batido wide. Adoro quando há esses tipos de diferenciação. Não que eu entenda muito haha, mas é legal!

Garanto que veremos muito mais séries como essa vindo à tona. Obrigada Netflix! 😊

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